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É segunda-feira; são agora seis e meia da tarde em ponto. Perto de mim, admiro as grades brancas da minha varanda. Nunca me canso delas! Mas grades não significam obrigatoriamente prisão. Na verdade, é quando estou aqui mesmo que me sinto mais livre.

O vento aumentou e está agora a bater-me na cara, fazendo os meus cabelos esvoaçarem contra a mesma. Mas chega de falar sobre mim! Este texto está a ser escrito da varanda do meu quarto  – como já devem ter percebido – que se situa no quarto andar de um belo prédio amarelo que tem: adivinhem… quatro andares!

Olhando para além das grades, distingo árvores, ainda há pouco cheias de folhas, agora quase despidas, devido a esta época do ano. Ligeiramente ao lado direito, contemplo uma espécie de mini campo, que não tem balizas, não tem redes, não tem nada, a não ser o seu chão de cimento com uma camada de verde-claro em cima, para não se poder ver a sua cor original. Nesse campo, onde, no Verão e nos dias mais quentes há sempre pessoas a praticar actividades múltiplas  – jogar futebol; andar de patins; andar de skate; e até há pessoas que trazem as suas redes para jogar voleibol, badminton ou ténis – , agora não há ninguém a não ser os cães que praticamente vivem ali e os sacos de plástico que as pessoas se esquecem de deitar ao lixo. Como podem!?

Um pouco mais adiante, surgem dois prédios iguais ao meu, colados. Aparentemente acontece o mesmo à minha direita e também à minha esquerda! Todos os dias oiço os mesmos sons: carros a passarem numa estrada que, da minha varanda não é visível; o latido dos vários cães que aparecem nas casas dos meus vizinhos, no campo (como já mencionei anteriormente) e também consigo distinguir outros cães, talvez perto daquela estrada de que já falei, mas não posso dar certezas; oiço ainda as pessoas a conversarem nas suas casas, pensando que ninguém as ouve!

Mmmm! Que cheirinho óptimo!  Acho que os meus vizinhos estão a cozinhar, mas talvez seja a minha mãe, pensando melhor. Consigo também sentir o cheiro a relva molhada, porque esteve a chover, ainda hoje! Bem, acho que já conseguem perceber melhor como é o ambiente em que vivo!

Feliz Natal!

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